Texto publicado no site Diário do Centro do Mundo. Toda a solidariedade da ASHPS aos colegas de Florianópolis!

No dia em que a greve dos funcionários públicos municipais de Florianópolis completou um mês, milhares de pessoas realizaram uma passeata hoje, dia 16, pelo centro da cidade. Entre os manifestantes, havia muitos pais de alunos que hoje estão sem aula por causa da paralisação.
 
É o caso da Alexandra Alencar, que não foi sozinha para a rua. Mãe de um adolescente, que ficou em casa, Alexandra levou um grupo de maracatu, que, ao som do tambor, dançava e acompanhava o refrão dos grevistas: “Nenhum direito a menos”.
 
Por que pessoas atingidas pela paralisação dos serviços apóiam a greve em Florianópolis?
 
O presidente da Federação dos Servidores Públicos de Santa Catarina, Lizeu Mazzioni, que é professor em Chapecó, acredita que a violência das medidas tomadas pela administração do prefeito Gean Loureiro, do PMDB, despertou na sociedade o sentimento de solidariedade.
 
“O que acontece aqui é legítima defesa”, diz ele.
 
Gean Loureiro se elegeu com a promessa de que valorizaria o serviço público e os aposentados. Mas, alguns dias depois da posse, enviou para a Câmara Municipal um conjunto de projetos de lei que, entre outras coisas, propunham o fim do plano de carreira do servidor e cortes superiores a 50% nas futuras aposentadorias.
 
O prefeito convocou a Câmara durante o recesso e conseguiu aprovar as medidas em poucos dias, mas por apenas um voto de diferença: 12 a 11. Os servidores já estavam na rua protestando quando as medidas foram aprovadas, e continuaram de braços cruzados, ao mesmo tempo em que organizavam grandes manifestações.
 
Na semana passada, o procurador geral do município entrou na Justiça com o pedido de intervenção no Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Florianópolis. A prefeitura pediu também a prisão de todos os diretores da entidade, que não estariam cumprindo a ordem judicial de retomar as atividades.
 
Houve reação de mais de 300 entidades sindicais do mundo todo, da Rússia aos Estados Unidos, do Paquistão à Índia, da África à Dinamarca – repercussão no mundo todo, e a imprensa brasileira ignora os eventos de Florianópolis.
 
Essas entidades enviaram mensagens para a desembargadora que julgaria o pedido de intervenção e a prisão dos dirigentes. No despacho, a desembargadora descartou o pedido de prisão, mas estabeleceu multas pesadas para cada dia de paralisação. Ainda assim, a greve não parou.
 
“Foi uma grande vitória. Só vi algo parecido, no sentido de mobilização internacional, na época das greves do ABC, quando prenderam Lula e outros sindicalistas”, disse João Batista Gomes, diretor da CUT , que saiu de São Paulo para participar do ato desta quinta-feira em Florianópolis.
 
“O que está acontecendo aqui um ensaio do que vem por aí. O golpe foi para isso. Arrochar os aposentados, destruir a previdência e acabar com a base do serviço público”, diz ele, que é funcionário de carreira da Prefeitura de São Paulo.
 
“Se passar em Florianópolis, vai passar no Brasil inteiro. No fundo, o conjunto de medidas daqui é a síntese do governo Temer: ataque aos direitos trabalhistas, reforma da previdência e reforma tributária – aqui eles estão diminuindo impostos para os ricos e castigando o serviço público. Tiram de quem mais precisa para dar aos ricos”, diz Alex Santos, presidente do Sindicato em Florianópolis, que está à frente desse movimento.
 
Casado, pai de um menino de oito anos e à espera do segundo filho, ele tem perdido horas de sono, para dar conta de assembléias e reuniões. Professor de educação física, com mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina, Alex apostou tudo no serviço público e hoje se sente um traído.
 
Está com aparência cansada, mas muito motivado. Alex Santos acha que o desfecho da greve em Florianópolis ainda vai demorar. “Só vamos parar quando o prefeito revogar as leis aprovadas”, promete.
 
Na manifestação de hoje, Luciana Genro, que foi candidata a presidente em 2014, também compareceu, orientada por um amigo que mora em Florianópolis, que lhe disse: “Eu nunca vi um movimento como este. Tem algo diferente acontecendo aqui e você precisa vir.” Ela foi e elogiou: “Eles estão fazendo história.”
 
Até os médicos, normalmente resistentes a movimentos grevistas como estes, participam em peso das manifestações. Murilo Leandro Marcos, do Programa Saúde da Família, diz que o pacote vai desestruturar o Sistema Único de Saúde, ao tirar a perspectiva de carreira do médico e reduzir horas de trabalho dos agentes comunitários.
 
Murilo lembra que Florianópolis tem um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil, entre outros fatores por conta de um serviço público premiado não só na área médica, mas também em educação.  “Sem perspectiva de carreira, com uma lei que não valoriza quem faz cursos, quem vai querer ficar aqui?”, indaga.
 
A comerciante Celi de Lima conversava com a professora Cecília da Silva, também grevista, e perguntou se a greve ainda iria demorar. “Depende do prefeito”, disse Cecília.
 
“A atual administração de Florianópolis, que une PMDB e PSDB, achou que daria um golpe nos servidores e ficaria tudo por isso mesmo. Mas eles acabarão descobrindo que não. O movimento sindical, unido ao movimento estudantil e outros movimentos sociais, está renascendo”, afirma  Lizeu Mazzione, da Federação.
 
No caminhão de som, o diretor do Sindicato dos Motoristas de Florianópolis Deonísio Linder ameaçou parar os ônibus se, em uma semana, a prefeitura não revogar o pacote de medidas.
 
Uma jovem também teve a palavra e fez um discurso inflamado. Era Mayara Colzoni, que falou em nome dos estudantes secundaristas de Joinville. No peito, ela trazia um broche: Liberdade e Luta. Uma corrente com esse mesmo nome se destacou nas manifestações dos últimos anos da ditadura.
 
Os dirigentes da nova Liberdade e Luta têm idade para serem netos daqueles do final dos anos 70 e início dos anos 80. Mas a palavra de ordem é parecida: pela democracia, fora Temer. Ou fora, Gean Loureiro, o mini-Temer de Santa Catarina.
 
Há 40 anos, se dizia algo que, traduzindo, significava: pela democracia, fora, generais. Jovens como Mayara não têm dúvida: a liberdade se conquista com luta.
17 de Fevereiro de 2017
Artigo publicado no site Jornalismo B
 
A transição de 2016 para 2017 não foi nada fácil para o conjunto da classe trabalhadora em todo nosso país. Desde a esfera federal, com o ilegítimo Temer (PMDB), passando pelos estados e municípios, os ataques aos trabalhadores foram das mais diversificadas formas, algumas com requintes de crueldade. O nefasto governo Sartori (PMDB) contaminou o Brasil com uma modalidade perversa, que desmonta o estado e coloca o trabalhador em último lugar na escala de prioridades, demitindo, atrasando e parcelando os salários dos servidores. A moda está pegando e se espalhando país a fora, como praga.
 
Aqui em Porto Alegre, após diversas ameaças de que não haveria o pagamento, nosso 13° salário foi pago em sua totalidade por Fortunati (PDT) em duas vezes, com atraso de três dias. Isso porque houve uma grande mobilização dos trabalhadores municiários, que estavam com disposição de parar todos os serviços em pleno fim de ano. Tamanha indignação evitou o pior, fez com que a Câmara de Vereadores autorizasse o então prefeito a antecipar o IPTU com desconto à população, mesmo contra a vontade do sucessor eleito, garantindo assim o pagamento integral da gratificação natalina aos municipários.
 
Agora, com a ascensão de Marchezan (PSDB) ao Paço Municipal, com a aprovação de parte de sua reforma administrativa e os repetidos anúncios confirmando na imprensa que de fato irá parcelar os salários em março, podendo ainda esses parcelamentos se estenderem por até dois longos anos, nova indignação ressurge com força na categoria municipária.
 
Incentivadas pelo Sindicatos dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), pelo conselho sindical e por diversas associações de municipários, uma série de reuniões e assembleias por locais de trabalho, começam a pipocar em todos os setores e secretarias da prefeitura. E o tom é o mesmo, em todos os locais: “Sem Salário, Sem Trabalho”!  À população portoalegrense, pedimos desde já a compreensão e o apoio, pois, pelo que tudo indica, não teremos outra alternativa para defender legitimamente nossos salários que não seja paralisar os serviços municipais.
 
 Talvez Marchezan esteja subestimando nossa categoria. Vai cair do cavalo. Em se confirmando o parcelamento de salários dos servidores municipais, o atual prefeito poderá ter que se confrontar com uma das maiores greves da história de Porto Alegre. 
 
 Os municipários estão “pintados pra guerra” e com total disposição de luta!
 
Salário não é privilégio, é direito sagrado!
 
João Ezequiel - Coordenador do Conselho de Representantes Sindicais da Saúde/Simpa
06 de Fevereiro de 2017
Nesta quinta-feira (26/01), o médico Amarílio Vieira de Macedo Neto foi anunciado como novo diretor-geral do Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ele irá assumir o cargo no dia 6 de fevereiro. Macedo Neto possui larga experiência e qualificação profissional em instituições hospitalares voltadas a urgências e emergências, tendo trabalhado no HPS durante quase vinte anos. Ao falar sobre as suas perspectivas na função, disse que “será um enorme desafio dirigir um hospital da grandeza do Pronto Socorro, referência em atendimentos emergenciais, com destaque para casos de trauma, e que só em 2016 realizou mais de 110 mil atendimentos”.

O novo diretor-geral do HPS é graduado em Medicina pela UFRGS; mestre e doutor em Cirurgia do Tórax pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e fez pós-doutorado na Universitè Paris-Sud Centre Chirurgical Marie Lannelongue (França) em Cirurgia Pulmonar e Transplantes Toráxicos. Foi presidente do Hospital de Clínicas e exercia atividades como professor adjunto do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Fonte: PMPA
Edição: Assessoria de Imprensa ASHPS
Foto: Luciano Lanes/PMPA
26 de Janeiro de 2017
Foi realizada na tarde desta sexta, 13/01, a Assembleia Unificada do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA), Associação dos Servidores do Hospital de Pronto Socorro (ASHPS) e CORES Saúde. O ato aconteceu na sede da ASHPS.
 
 
A movimentação contou com presença massiva de servidores do HPS. Todos tiveram oportunidade de tirar suas dúvidas e encaminhar sugestões para as próximas mobilizações. O objetivo da Assembleia foi aproximar os membros do Sindicato e das associações para que juntos elaborassem projetos para combater a onda de retirada de direitos dos Servidores Públicos.
 
 
Ao final do encontro, a vice-presidente da ASHPS, Isabel Sant Ana, agradeceu a presença de todos e reiterou a importância da união e da mobilização de todos os municipários. "Para nos fortalecermos ainda mais como grupo, participamos e somos signatários da criação da Frente Municipária em Defesa do Servidor e do Serviço Público. Nossa proposta é de unidade dos trabalhadores e usuários do serviço público, visando combater o desmonte do Estado que está sendo preparado por estes governos neoliberais que aí estão, tanto aqui em Porto Alegre, quanto no Rio Grande do Sul e no Brasil", relatou.
 
 
Também estiveram presentes no evento o Diretor Geral do SIMPA, Alberto Terres, a Diretora de Saúde do SIMPA, Onéia Machado, e o representante do CORES Saúde do SIMPA, João Ezequiel.
13 de Janeiro de 2017
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